segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Malas para a África

Está indo morar ou ficar um tempo na África? Não tem a menor idéia do que vai realmente precisar levar? 

Depois de algum tempo morando aqui no Gabão e conhecendo melhor como as coisas funcionam, resolvi fazer uma lista dos itens imprescindíveis para quem embarca para cá ou para algum outro país da África Subsaariana. 

Claro que essa lista pode mudar de acordo com o país, mas achei válido deixar o registro!

VAMOS ÀS MALAS?



VESTUÁRIO
  • Roupas de verão, mas não apenas praianas. É um povo que gosta de formalidades, inclusive ao vestir. 
  • Roupas e sapatos de festa. Nunca se sabe quando pode surgir um evento, um casamento, um coquetel. 
  • Óculos de sol são imprescindíveis!
  • Sapatos confortáveis. Caminhar pela cidade é um desafio, exige atenção dos pedestres e agilidade.
  • Sempre bom ter algumas peças de inverno. Não para o Gabão, mas nas conexões dos voos, normalmente feitas por Johannesburgo ou Paris, onde faz frio em algumas épocas do ano.

HIGIENE
  • É difícil encontrar fio dental para vender! Toda vez que vou ao Brasil trago algumas caixinhas.
  • Cotonetes são de uma qualidade bem inferior, mas existem várias opções de preços e marcas. Eu aconselho trazer.
  • Álcool em gel para mãos e lenços umedecidos para carregar na bolsa (e bolsos). Este artigo não pode faltar! É fácil encontrar para vender, mas já traga alguns em sua mala.
  • Protetor solar, cremes hidratantes e todos os seus itens pessoais prediletos, traga para as primeiras semanas. Aos poucos você vai conhecendo as lojas, farmácias e mercados com grande variedade de produtos, principalmente franceses.
  • Bebês. Pelo que tenho visto aqui tem tudo para os bebês: leite Nan, mamadeiras, papinhas, fraldas, etc, etc, etc...  

BELEZA
  • Esmaltes. Se vc tem alguns preferidos, traga! Aqui não tem muitas opções. 
  • Alicates de unha.  Em salões de beleza eles não utilizam o alicate de cutícula, mas sim uma espátula de metal. Utilize apenas os seus itens (lixas, espátulas, etc...).
  • Tratamento capilar. Se você utiliza algum produto específico para hidratação para os cabelos, é bom trazer alguns potes. Aqui existem poucas opções.
  • Escova progressiva, relaxamentos, coloração. Os melhores salões oferecem produtos de marcas conhecidas, porém custam uma fortuna. Optei por não fazer nada disso enquanto estivesse aqui. Aproveitei algumas idas ao Brasil para cortar o cabelo e fazer o que tivesse que ser feito lá, com os produtos que eu já conheço. Existem as opções "mais em conta" à venda, mas achei melhor não arriscar.
  • Corte de cabelo. Os homens africanos utilizam o cabelo raspado, então para fazer cortes masculinos é muito complicado encontrar algum cabeleireiro que deixe seu corte como o esperado. Para as mulheres é o mesmo problema. Conheço muita gente que optou por cortar seu próprio cabelo (!). Você pode optar por esperar até a próxima viagem ou, quem sabe, experimentar um novo corte! =)
  • Depilação. Também é possível realizar nos diversos salões de beleza da cidade, mas atenção com a higiene do local e como é o cuidado com a cera utilizada. Caso prefira não arriscar, é possível comprar ceras depilatórias nos supermercados - tem de várias marcas - e fazer em casa, ou comprar um depilador elétrico! 

SAÚDE
  • IMPORTANTE: Antes de sair do país, faça todos os check-ups necessários. Informe-se com seus médicos sobre os cuidados a serem tomados para aquela região que está indo. Tome todas as vacinas recomendadas (e são várias). 
  • Em sua farmacinha, traga também pomadas para micoses. Colírio umidificante e bactericida. 
  • Repelentes e mosquiteiro. Úteis. 
  • Lentes de contato. Comprei várias caixas antes de vir e já refiz o estoque. Estou gastando mais lentes que o normal, talvez pelo uso contínuo do ar-condicionado, que resseca os olhos. Traga também o seu kit de limpeza de lentes. Eu ainda não vi, em nenhum lugar, lentes de contato à venda.
  • Óticas. Existem boas óticas. Já levei várias vezes óculos para apertar (é de graça).
  • Anticoncepcionais. Compre um estoque para o período que vai precisar. É muito difícil encontrar o mesmo que você usa e é melhor manter aquele que seu corpo já está acostumado.
  • Comprimidos de cloro para desinfecção da água, ou aqueles em gotas. É super útil para lavar frutas e verduras.
  • Não tome água da torneira. Eu costumava nem pedir bebidas com gelo e ainda fico com receio de pedir sucos, nunca se sabe se é feito com água mineral. 
  • Médicos. Existem alguns médicos franceses e marroquinos que são bem reconhecidos. ATENÇÃO: consultas, exames ou internamento exigem pagamento imediato em dinheiro, ou seja, tenha sempre dinheiro extra reservado para emergências. Em países de alto custo de vida, como o Gabão ou Angola, é preciso ter ao menos o equivalente a uns mil dólares para dar entrada no hospital.
  • Dentistas. É possível encontrar, porém fazer algum tratamento mais longo e delicado não é indicado. Serviços de manutenção de aparelho dental são praticamente impossíveis de serem encontrados. 

EQUIPAMENTOS
  • Adaptador mundial de tomadas. Muito útil até em viagens curtas.
  • Lanterna. Quando chegamos era muito comum picos de energia, agora está mais estável, mas a lanterna deve estar sempre a postos.
  • Máquina fotográfica. Mas, cuidado porque as pessoas não gostam de ser fotografadas pelos turistas. Seja discreto. Prédios públicos também são proibidos de serem fotografados, sempre terão policiais fazendo a vigilância e podem até pedir para que você apague a sua foto.
  • 220V - 50HZ. Tomadas com 3 plugs, modelo europeu.
  • A internet é quase sempre via Wi-Fi (padrão WiMax). O mais comum é ser de 1MB, mais raro é de 2MB, Porém, já começa a aparecer alguns planos absurdamente caros para 10MB. A internet ainda é 2G, mas com planos de expansão ainda em 2013.

DIVERSÃO
  • Traga músicas, DVD's, livros, jogos! 
  • Lembre-se que a internet ainda é muito lenta para poder baixar filmes, músicas ou mesmo ver vídeos online...

E ETC...
  • Aqui no Gabão é possível comer bem e de tudo. Frutos do mar de excelente qualidade. Produtos da cozinha francesa são os mais comuns. Diversas e excelentes padarias, com baguettes e croissants deliciosos. Frutas e legumes. Carnes normalmente são importadas da África do Sul, França, Brasil e Cameroun.
  • Restaurantes não costumam abrir nos finais de semana para almoço, apenas jantar. Alguns poucos estabelecimentos começaram agora a abrir aos sábados. Supermercados já estão abrindo aos domingos até meio-dia e durante a semana até às 20 horas.
  • Comércio e escritórios adotam o sistema de Jornada Continuada (07:30 às 15:30). 
  • A moeda é o Franco Centro Africano (XAF, ou FCFA), fixado em 1Euro = 655.957 FCFA
  • Gorjetas (service, tip) são de 5 a 10% do valor total da conta, a seu critério.
  • Indicações de hotéis em Libreville: Atualmente os hotéis mais modernos da cidade são o Onomo Hotel e o Nomad Résidence, mas existem outras opções.

Para aqueles que trarão, literalmente, a casa: 

DICAS EXTRAS 
  • O container atrasa e muitas vezes não temos nenhuma previsão da chegada. Leve em suas malas os itens mais importantes, prevendo ficar sem o restante por uns 3 meses.
  • Eletrodomésticos 220 volts funcionam. Televisores, geladeiras, máquinas de lavar e todos os demais funcionam. Pode vir a precisar de algum adaptador extra, mas vai funcionar! Pode ter sido nosso azar, mas queimou o nosso aspirador de pó e o DVD.
  • Assim que seu container chegar no porto você vai precisar da documentação toda e muita agilidade para desembaraçar a mudança e imediatamente levá-la ao seu novo endereço. Armazenagem no porto é caríssima.
  • Como você vai trazer um container e nem sempre ele estará lotado, vale pensar em trazer algumas - várias - unidades de produtos de limpeza. A qualidade destes produtos é baixa. 
  • Se você não vive sem, traga seu travesseiro! E... estoques de feijão, farinha de milho, polvilho para pão-de-queijo, mate para chimarrão, cachaça brasileira (todo mundo quer experimentar).
  • Itens para a casa como colchões, lençóis, toalhas e todo e qualquer tipo de móvel são de baixa qualidade e com preços altíssimos. 
  • Se você pensa em alugar uma casa sem mobília, o melhor é trazer tudo que precisa.  É muito difícil, quase IMPOSSÍVEL encontrar casas mobiliadas. 
  • Ar-condicionado. Muitas casas não possuem ar-condicionado adequado ou suficiente, e os proprietários nem sempre concordam em comprar novos aparelhos. Prepare-se para este investimento. 
  • Há lojas de roupas, sapatos, e tudo mais que você possa precisar. O mais difícil é encontrar algo interessante e com um preço que compense a compra. 
  • Tem academias, clubes, bares e muitos surpreendem positivamente!

Ufa! Agora é só mergulhar nessa experiência cheia de aventuras!!!




Fique à vontade para deixar comentários, perguntas, dicas ou mesmo compartilhar alguma experiência interessante, engraçada, dramática que já tenha vivido em suas andanças pelo mundo!!! 

11 comentários:

  1. Oi Celina, parabéns pelo blog! Outro dia, li tanto que acabei sonhando com ele, hahaha.

    Felicidades! :)

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  2. Oi Celina!

    Eu percebi, lendo este e outros posts seus, que tem coisa muito cara na África, como saúde (tomando um ponto em comum como referência - dólares). Duas questões: o diplomata suporta esses custos de acordo com o país em que está lotado? Como o povo local vive em relação a isso, como fica o padrão de vida da população em geral?

    Obrigado
    Vinícius Silva

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    1. Realmente, Vinícius, o custo de vida em alguns países da África é extremamente alto para expatriados - você pode verificar o ranking pelo estudo da consultoria Mercer ou ainda, pelo ranking da ONU. Não sou economista, mas creio que os altos custos podem estar relacionados à diversos fatores: a falta de recursos ambientais e tecnológicos, pouca concorrência no mercado (Oferta x Procura) e todas as dificuldades político-econômicas que tem massacrado a economia africana em milênios. As empresas, organizações internacionais e governos que mantêm representações em países deste perfil reconhecem esses fatores e baseiam a remuneração dos seus funcionários em estudos de custo de vida local.

      Mesmo sabendo que é possível um expatriado manter seu padrão de vida, ainda é muito difícil atrair pessoas dispostas a enfrentar países da África ou mesmo Ásia e Oceania. Além das dificuldades estruturais ainda existe o choque cultural, linguístico, religioso e muitas vezes o perigo das doenças e dos conflitos armados, rebeliões, protestos. Acredito que dificilmente alguém toparia este desafio, caso a remuneração não assegurasse a possibilidade de uma estadia tranquila.

      Falando do Gabão - país de maior IDH da África subsaariana, especificamente: para a maioria dos nacionais (sem recursos financeiros) existem hospitais públicos, escolas públicas e o salário mínimo local é equivalente a USD 300.00 (praticamente o mesmo valor do Brasil). A alimentação é baseada em mandioca, banana, arroz, sardinha e pão (em que o preço é tabelado e subsidiado pelo governo).

      Também existem muitos nacionais com altos recursos financeiros, que fazem seus estudos na Europa ou Estados Unidos e retornam para trabalhar, principalmente com petróleo ou no governo. Estes poderão pagar por um melhor serviço de saúde e viver em condições mais confortáveis.

      Na verdade, acho que tudo isso que eu falei assemelha-se muito ao Brasil, em proporções bem diferentes, mas basta ver como vivem os expatriados do setor privado, OI's e governos que moram no Brasil e como vive a maior parte da população. Não é nada fácil para a população da classe baixa Sobreviver no Brasil, ainda que também existam hospitais, escolas públicas e outros auxílios governamentais e muita ajuda não-governamental.

      Espero ter ajudado em algo. Caso precise de informações mais detalhadas, é só perguntar! ;)

      Um abraço!
      Celina

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  3. Olá Celina!

    É preciso muita coragem para sair do seu país natal e encarar um desafio como esse, uma terra totalmente desconhecida. Isso requer um certo preparo psicológico, acho, rsrs.
    Como você lida com a saudade da família e dos amigos? É possível se acostumar com este sentimento ou isso depende muito da pessoa?
    A minha curiosidade é porque penso em ser diplomata, mas sou muito apegada à minha família e eles a mim. Se eu for embora, sei q minha mãe sofrerá muito com a minha ausência (ela dedicou sua vida exclusivamente ao meu irmão e à mim), além do fato de que eu sempre morei com meus pais e não sei como eu me sairia numa situação assim. Por outro lado, viajar pelo mundo é um sonho que tenho desde pequena. Aí, por causa deste dilema, não sei se devo seguir mesmo a carreira diplomática.
    Como você lida com a saudade do Brasil? Como é viver longe da família?
    Agradeço muito se puder responder.
    Parabéns pelo blog! n consigo para de lê-lo...

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    1. Obrigada pela presença aqui, Carol! Lidar com os sentimentos é, sem dúvida, a parte mais complicada do desafio de escolher uma carreira que te oferece mudanças frequentes. E nesse caso, a escolha nem foi minha...rsrsrs. É preciso um fôlego extra e um pouquinho de espírito aventureiro, sem dúvida!

      Eu vejo as mudanças e o conhecimento de outras culturas como uma grande oportunidade de aprendizado pessoal, cultural e também emocional... acho que pensar dessa forma me ajuda a aliviar a dor da saudade e a lidar com cada dificuldade que aparece, porque vejo as mudanças como algo muito positivo!

      Eu, antes de vir para cá já havia morado sozinha em outras cidades e eu tenho certeza de que a distância tornou os laços familiares mais fortes e sempre cheio de novidades e histórias pra contar! Mantenho contato quase diário com minha família e amigos, via internet ou telefone, e estamos sempre em muita sintonia, é tanta que quando nos vemos pessoalmente é como se eu nunca tivesse saído! Isso é meio estranho, mas é assim que eu sinto!

      Cada pessoa possui formas diferentes de lidar com os desafios da vida. Se vamos nos sair bem ou mal? Só vivendo cada um deles, em toda a sua complexidade, para sabermos! ... Sempre acreditando no seu sonho e naquilo que vai te fazer, verdadeiramente, feliz!

      E claro, a carreira diplomática te dá muitas opções...você pode ficar bastante tempo em Brasília antes de sair em missão e também pode retornar quando quiser... não é nenhuma prisão! eheheh. É possível direcionar sua carreira conforme o seu perfil profissional, suas preferencias, suas aspirações...

      Te desejo muito sucesso!

      Um abraço,

      Celina

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    2. Obrigada, Celina!

      Precisava muito saber como é o olhar de alguém que mora em outro país sobre este assunto. Estou até mais tranquila depois de ler a sua resposta.

      Não sabia que havia toda essa liberdade na diplomacia, achava que os funcionários do serviço exterior só poderiam retornar ou quando acabasse a missão, ou quando estivesse de férias. Fico mais contente agora, rsrsrs

      Mais uma vez, Muito Obrigada!

      Abraço
      Carol

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  4. Eu devia ter lido esse post antes de chegar em Cape Town! kkkkkk

    De qualquer forma já descobri que vários supermercados vendem fio dental :)

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    1. África do Sul é uma exceção em vários quesitos...

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  5. Ola Celina voce ainda esta em Libreville? Gostaria deum email de contato.
    Marcio reis mareiss@ig;com;br

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    1. Olá Márcio, não estou mais em Libreville, mas caso precise de alguma informação estou à disposição para ajudá-lo. celinarn@gmail.com

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