Pular para o conteúdo principal

Mídias Médias

Este post demorou devidos a problemas técnicos com a internet do hotel. Explicando o próprio título.

Sem internet aprende-se que é possível sobreviver sem ela. Mesmo que você se sinta isolado do mundo, o que não deixa de ser uma realidade, você passa a dar mais valor aos jornais, revistas, rótulos, embalagens... Isso tem ajudado a evoluir na língua francesa e a notar outros desafios a serem enfrentados:

1) A cidade está sofrendo racionamento de energia. Devido a um problema nas tubulações da empresa distribuidora, todos os dias falta luz, demorando até mais de 4 horas para voltar. Na maioria dos lugares (casas, restaurantes, bares...) a água vem por meio de bomba d´agua - que precisa de energia. Então, sem luz = sem água.  Em restaurantes é comum encontrar uma garrafa de água mineral na pia do banheiro para lavar a mão. No momento estamos em um hotel que tem gerador, então não sofremos com isso.
Previsão para cessar o racionamento: mais 2 dias.

2) Outra limitação são programas de televisão. As tvs são por satélite, que quando chove é frequente a falha de sinal. Lembrando que estamos na grande temporada das chuvas (grande saison de pluie). Ou seja, quando tem luz e não está chovendo, estamos com apenas 6 opções de canais funcionando, sendo que 3 deles são de clipes. Nos resta um canal de notícias em língua inglesa, um em francês e um canal de programas franceses de auditório no melhor estilo Silvio Santos...Na tv aberta tem outras opções, assim como exitem outros contratos (com mais canais) nas tvs por satélite, mas no momento, é o que temos!

4) No supermercado encontra-se de tudo, coisas de boa qualidade, ainda que caras. Mas o maior problema é a programação logística. Como não existem indústrias no país, tudo vem de fora. E se atrasa a chegada do navio ou qualquer outro problema de percurso, aquela bolacha que amamos vai demorar alguns dias para estar nas prateleiras. Água mineral é cara e ainda não encontramos os galões de 20 litros. As opções de água mineral são as européias ou uma que é produzida localmente e mais barata (Andza). Porém, deve ter tido algum problema nas estradas do interior, pois faz 1 semana que não encontramos essa marca aqui na cidade.


É claro, isso é um relato e pode parecer que as dificuldades são bem maiores do que realmente são, pois felizmente, essas dificuldades fazem parte de um todo, que inclui outros pontos que superam as expectativas. Além, dos fatos se darem de forma aleatória e então, no fim das contas, nada que cause um grande incômodo.

On est ensemble! 
Estamos juntos!


Comentários

  1. E aí, acabou mesmo o racionamento? Esse é o meu principal medo na África, acho que maior que a malária haha: abstinência de internet. Sério, sou muito viciada, teria muitos problemas em ficar 4hs por dia sem luz. Qual tem sido sua maior dificuldade aí? Depois faz um post sobre isso! :p

    Bjo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então Luiza, o racionamento acabou e tudo voltou ao normal! Recentemente mudamos de apartamento e não tivemos mais nenhum problema com a internet. É claro, o preço para ter internet é alto e atualmente a maior velocidade disponível é de 1MB, no Brasil já existe a 100MB, correto?

      Vou atender seu pedido de um novo post (em breve)! :P

      Excluir

Postar um comentário

POSTS POPULARES

Esposa de Diplomata - Parte I

Nossas aventuras pela África continuam!  Recentemente completamos 1 ano em África. Foi um ano de muitas novidades, tantas descobertas, cores, paisagens, sabores!
Além da oportunidade de morar em Libreville ainda conseguimos conhecer outras cidades africanas: Joanesburgo, São Tomé, Cotonou, Luanda, rápidas passagens por Adis Abeba e Ponta Negra, e ainda a linda Cidade do Cabo! Cada uma dessas cidades deixou sua marca especial na minha memória e impressões daquelas que só se pode ter vendo com seus próprios olhos. 
Ainda temos muitos planos de viagem e amigos para visitar na África. Vamos tentando assim conhecer um pouquinho mais esse continente tão incrivelmente cheio de riquezas naturais, humanas, gastronômicas, religiosas, étnicas, idiomáticas... 

Quanto à experiência da vida diplomática, eu diria que agora me sinto um pouco mais situada e recompensada pelas difíceis decisões de deixar o Brasil, meu trabalho e tantas outras coisas e sonhos. Ganhei, no entanto, em um ano o que eu não ganh…

Falando em tecidos...

Fazer este blog tem me feito notar coisas que eu normalmente não notaria. Além disso, tenho cada vez mais percebido que escrever é uma arte! É difícil reler suas próprias produções depois do calor do momento; sempre quero mudar algo, incluir, tirar, enfim... Peço desculpas pelos errinhos e espero continuar passando a vocês esta experiência da forma mais clara, leve e objetiva possível. 

Falando na arte da escrita, lembrei da contracapa de um livro que ganhei da querida diplomatriz Carollina Tavares, que diz: "O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele simplesmente faz é iluminar com os seus olhos aquilo que todos veem sem se dar conta disso. (...) para que o mundo já conhecido seja de novo conhecido como nunca foi." (Rubem Alves)

Na África, descobri que a escrita pode ter milhares de formas e cores! Aqui, até o estampado de uma roupa é uma forma de expressão. A estampa fala por si só, cada uma delas explicita um sentimento, uma situação, um nome, um p…

Mariage coutumier: o casamento tradicional no Gabão

Hoje vou tratar de um tema complexo e com implicações sobre a questão de gênero, o mariage coutumier (casamento tradicional), bastante comum no Gabão e em diversos países africanos. A cerimônia terá particularidades mesmo dentro de um país, a depender da região e da etnia a que os noivos pertencem.
É sem dúvida um dos rituais mais interessantes e tradicionais da cultura gabonesa, mas, como é comum nas instituições sociais, tem suas controvérsias.

O grande dia

De quinta a domingo se você ouvir sirenes e ver comboios de carros escoltados pela polícia, lotados de pessoas (incluindo em cima de caminhonetes) vestindo as mesmas cores e em clima de comemoração, não tenha dúvidas: não é revolução, é casamento!


Os membros da família da noiva vestem-se com tecidos iguais, que combinam com o tecido da família do noivo.

O tecido ("pagne") é previamente definido e deixado em lojas de tecido da cidade com o nome dos noivos. Os convidados irão coser seus trajes com o tecido escolhido pelos noi…