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Ser Mãe no Exterior

Deixo aqui um resumo do último ano, explicando, em parte, a minha ausência. O texto abaixo foi feito para uma série de entrevistas sobre temas relativos à vida na chancelaria para o blog http://diplowife-diplolife.blogspot.com.br , da querida diplomatriz Elisa Pinchemel. Um blog cheio de boas informações sobre a vida diplomática. Respondi questões acerca da minha experiência com a maternidade no exterior, dificuldades linguísticas e culturais no pré-natal e perspectivas futuras sobre educação dos filhos. Quanto ao blog aqui, espero voltar em breve.           ***** Celina, 31 anos, é formada em Relações Internacionais, pós-graduada em Administração de empresas e (até quando foi possível) atuou em consultoria de empresas. Casada com Cassiano, diplomata desde 2010. Viveram em Libreville de 2012 à 2014 e desde abril de 2014 estão em Montreal. São pais do Nicolas, 9 meses . Logo após o término do curso no Instituto Rio Branco, meu marido e...

É hora de partir

Sim, é isso mesmo! E stamos completando dois anos desde a nossa chegada, mais de 50 posts aqui no blog e mais de 26 mil acessos (uau!). Mas agora é hora de deixar Libreville, o Gabão, a África... Registrei aqui uma parte dessa experiência no continente africano, contando sobre as dificuldades, belezas, boas e más surpresas que tivemos. Fazendo a retrospectiva, no blog e na memória, fica fácil dizer que fui muito feliz aqui. Até os momentos mais tensos agora já se tornaram um bom motivo de risadas e de histórias para contar!  Aos que virão em algum momento para a África, vale dar uma lida nos posts mais antigos, destaco principalmente estes:  Malas para a África      Sobre Malária       Gabonitudes      Desafios      Mídias Médias Àqueles(as) que estão no mesmo barco, o dos acompanhantes de diplomatas/expatriados, digo que o medo e a insegurança que nos rondam realmente têm algum motivo para existir. Ter que...

Ele está Chegando!!!

Os últimos meses foram pra lá de movimentados. A grande notícia é que estamos esperando nosso primeiro bebê! Já passamos mais da metade do caminho das 40 semanas e estamos cheios de planos e expectativas para a chegada do Nicolas, o que deve acontecer em meados de junho!  Não, não é fácil encontrar bons serviços médicos no Gabão. Apesar de existir hospitais e clinicas privadas que fazem o acompanhamento pré-natal básico, é preciso lembrar que não existem equipamentos de alta tecnologia para o caso de uma emergência ou, que por exemplo, possam saciar a curiosidade dos pais para saber o sexo antes das 18 semanas de gravidez. Pelo mundo afora já existe exame de sangue que confirma o sexo do bebê com apenas 8 semanas de gestação!!!  Visitei várias clinicas e médicos aqui em Libreville, a maioria dos médicos são gaboneses com formação na França. Optei por fazer o acompanhamento com uma médica mais jovem, em uma clínica pequena, que teve o melhor atendimento e que foi bast...

I Maratona do Gabão

Libreville foi anfitriã de mais um grande evento: a Primeira Maratona do Gabão.  Foram cinco corridas diferentes, na verdade: de 1 e 3 km para crianças, de 5 km exclusiva para mulheres, e de 10, 21 (semi) e 42 km (a verdadeira maratona) para as mais ousadas e ousados. Apesar da cidade dispor de poucas vias apropriadas para uma longa corrida de rua, o que, de fato, fez com que a cidade ficasse literalmente parada durante 2 dias, o evento foi bem organizado. Havia estrutura de tendas com stands e distribuição de kits, água, frutas e lanches para os inscritos.  Eu fui só dar uma espiada, mas o maridão correu os 10km. Em pleno calor equatorial de uma manhã de domingo, com chuva torrencial para aliviar o calor dos corajosos!  Uma boa iniciativa do governo, uma vez que a prática de esportes acaba sendo muito limitada aqui em função da cidade não possuir parques, praças ou quadras esportivas públicas. Como pode-se correr em qualquer calçada (e há uma razoável ...

Encontros II

A comunidade brasileira no Gabão é bastante pequena. Em torno de 70 pessoas, boa parte religiosos vivendo no interior do país. Cerca de 20 moram em Libreville, a maioria brasileiras que se casaram com gaboneses quando esses realizavam seus estudos superiores no Brasil. Teve  uma brasileira, porém, que não quis embarcar para Gabão... E aí começa a história que conto hoje, a história do Fábio.  Nosso amigo Fábio nasceu no Brasil e tem sobrenome gabonês. Desde pequeno sabia que seu pai era africano e que sua mãe não havia aceitado a proposta do então companheiro de embarcar com ele de volta para o Gabão. Fábio passou quase 30 anos pronunciando errado o seu sobrenome e sem saber quase nada sobre seu pai, senão o nome. Um ano atrás ele finalmente ouviu a pronúncia correta do seu sobrenome pela primeira vez, quando veio ao Gabão conhecer seu pai.  O caminho de Fábio até chegar aqui foi longo. A mãe havia perdido o contato com o pai, o que fez com que ele, ainda na adol...

Encanto

Se tem algo que realmente me encanta em Libreville é o pôr do Sol! 

Mariage coutumier: o casamento tradicional no Gabão

Hoje vou tratar de um tema complexo e com implicações sobre a questão de gênero, o mariage coutumier (casamento tradicional), bastante comum no Gabão e em diversos países africanos. A cerimônia terá particularidades mesmo dentro de um país, a depender da região e da etnia a que os noivos pertencem. É sem dúvida um dos rituais mais interessantes e tradicionais da cultura gabonesa, mas, como é comum nas instituições sociais, tem suas controvérsias . O grande dia De quinta a domingo se você ouvir sirenes e ver comboios de carros escoltados pela polícia, lotados de pessoas (incluindo em cima de caminhonetes) vestindo as mesmas cores e em clima de comemoração, não tenha dúvidas: não é revolução, é casamento! Os membros da família da noiva vestem-se com tecidos iguais, que combinam com o tecido da família do noivo. O tecido ("pagne") é previamente definido e deixado em lojas de tecido da cidade com o nome dos noivos. Os convidados irão coser seus traje...